iluminação nos edifícios : abordagem no contexto da sustentabilidade e eficiência energética
António José Santos
O principal objectivo da iluminação nos edifícios é o de criar um ambiente visual que permite aos ocupantes verem, deslocarem-se em segurança e desempenharem as diferentes tarefas visuais eficazmente e com precisão, sem causar fadiga e desconforto visuais indevidos.
Adicionalmente, os sistemas de iluminação (natural e artificial) deverão ainda ser energeticamente eficientes, minimizando eventuais impactes energéticos negativos.
Proporcionar uma boa iluminação requer que se consagre igual atenção aos aspectos quantitativos e aos aspectos qualitativos da iluminação. A existência de iluminâncias suficiente para a realização das tarefas visuais (principal exigência quantitativa) constitui, naturalmente, uma condição necessária, mas em muitas situações a visibilidade das tarefas visuais depende ainda de outros factores como sejam: o modo como a luz é disponibilizada, as características de cor das fontes de iluminação e das superfícies e os níveis de encadeamento presentes (aspectos qualitativos).
Numa perspectiva de conforto e eficiência energética é desejável que a iluminação dos espaços interiores seja efectuada, preferencialmente, com recurso à luz natural devendo esta ser suplementada por sistemas de iluminação eléctrica eficazes e flexíveis quando as necessidades de iluminação não possam ser satisfeitas apenas à custa da luz natural.
Deste modo, o aproveitamento da iluminação natural nos edifícios e em particular naqueles com ocupação predominantemente diurna, pode contribuir de modo significativo para a eficiência energética, o confornto visual e o bem estar dos seus ocupantes.
Neste sentido, as estratégias de aproveitamento da luz natural deverão ter em consideração os potenciais ganhos e perdas térmicas (eventuais sobreaquecimentos nos períodos quentes, arrefecimentos nos períodos frios e os ganhos de calor devidos à utilização da iluminação artificial), a diminuição dos consumos energéticos (ao substituir a iluminação artificial e ao diminuir ou eliminar o recurso à climatização mecânica) e ainda, os benefícios mais subjectivos para os ocupantes decorrentes da utilização da luz natural em vez da luz artificial e do usufruto da visão para o exterior.
Com a presente comunicação pretende-se abordar alguns dos principais factores em jogo no projecto da iluminação natural dos edifícios, tendo por enquadramento geral as exigências de conforto, eficiência energética e sustentabilidade, bem como abordar os mais recentes desenvolvimentos aplicáveis a climas com predominância de céus não-encobertos.
Santos, António José
Laboratório Nacional de Engenharia Civil
Lisboa
PT 2007
ISBN 978-972-49-2123-5 (brochado)
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